quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Religião deveria ser assim

Por Thiago Pinheiro;

“A religião é polissêmica. Sendo um signo aberto, ela pode ser usada para praticamente tudo. Em nome da religião, o cardeal primaz de Viena apoiou o nazismo. Em nome da religião, o padre Maximiliano Kolbe morreu no campo de concentração para salvar um judeu. Ou seja: em nome da religião se mata, em nome da religião se salva”. (Leandro Karnal)

Frequentei uma mesquita por pouco tempo, com o objetivo de conhecer melhor o islã a fins de pesquisas. Interessante foi o fato de minhas idas ao templo muçulmano ter sido no Ramadã. A pergunta que fiz a muitos dos seguidores do islã foi a respeito da "guerra santa". A resposta que eles me deram foi: "é uma guerra contra si, e não contra os outros".

Como cristão, envergonho-me da Ku Klux Klan, endossada por igrejas batistas, da morte por aforamento que se impunha aos anabatistas, das cruzadas, das mortes de "ímpios" por terem discordado dos crentes", do sofrimento daqueles que "tocaram no ungido", dos "queima ele" pentecostais. Sem contar as interpretações atuais ridículas da morte de Cazuza e John Lennon por ter "afrontado Jesus". Fico abismado com o ódio de pastores ao falar de hereges midiáticos. Muitos falam do inferno com sangue nos olhos: chegam a ser catárticos os sermões sobre a condenação eterna, um verdadeiro despejo de ódio contra os ímpios e hereges.

Esse cristianismo à la Hitler considera que isso assim precisa ser feito, pois deve-se "batalhar pela fé". Aliás, o que tem de cristão usando Jd 3 fora de contexto... Parece que estes gostariam de montar uma Al Qaeda evangélica. "Em nome da religião se mata, em nome da religião se salva", como dizia Karnal.

Eu dialogo com o islã no que tange à ideia de "guerra contra si", contra as camadas horrendas do eu. Eu sou o meu maior inimigo, aquele que dificulta o meu seguir a Deus. Cá pra nós, Jesus poderia ter resumido a lei em outra coisa mais fácil, e não nesse exercício penoso que é o amor.


Sobre o autor do texto:

Thiago Pinheiro é teólogo formado na FATE-BH (hoje Izabella Hendrix) e é amigo meu. Este homem de Deus me ajudou (e muito) na confecção de um artigo sobre Paul Tillich (que se encontra aqui) e também em grande parte de meu raciocínio teológico do meu TCC (baixe-o clicando aqui ou apenas leia o resumo dele clicando aqui). O Reino de Deus tem sabor especial com este irmão nele. Obrigado Thiago por estar na embarcação. Abraços.

Não preciso falar mais nada sobre o texto dele. Acho que se eu falar estragarei tudo.

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